Cinecartaz

António Cunha

Tome este doce

“Hard Candy” situa-se, a meu ver, entre o “Saló” de Pasolini e a obra de Hitchcock. Hayley, uma suave e inteligente adolescente, conhece Jeff, um simpático e bem sucedido fotógrafo, num chat de Internet. Encontram-se num snack-bar e, sem perder mais tempo, Hayley convida-se a visitar a casa de Jeff. A região de Santa Bárbara, na Califórnia, é o local. Uma casa de linhas contemporâneas é a “caixa-forte”, onde tudo se passa. Pouco tempo depois, Jeff vê-se amarrado a uma cadeira e o jogo da adolescente é posto em prática. Hayley quer que Jeff revele o que faz com as suas modelos. O “paciente”, tal como o espectador, não está preparado para as “brincadeiras”. Não sei se é um "thriller", nem tão pouco sei se será um drama. Sei é que se trata de um filme rodado na ponta da navalha, literalmente. A tensão e o "suspense" são enormes – do princípio ao fim.

Que dizer do trabalho de realização? Muito bom – o realizador, David Slade, consegue fazer movimentar a câmara ao sabor do prazer de Hayley surpreender Jeff e, com ele, o espectador. Dos actores poderá dizer-se o mesmo. Aliás, a força e a tensão geradas pela história arcam totalmente em cima de duas interpretações excepcionais de Patrick Wilson e Ellen Page. De notar também a originalidade da história. A ver! Nota: 3,5/5.

Publicada a 11-06-2006 por António Cunha