Cinecartaz

José Neves

A americanização dos lívidos

Passo a citar um dos ofendidos que me antecederam: "os diálogos estão geniais". Ora bem, os verbos ser e estar, embora comuns e um só no idioma que originou este filme, o citado comentário e a formatação geral que caracteriza o mundo actual, em português, são clara e especificamente distintos e distintivamente utilizáveis, na nossa língua: portanto, os diálogos (absolutamente nada-de-nada, acrescento), são ou seriam qualquer coisa e não estão ou estarão. Quanto ao filme, é como os comentários que por aqui andam: a formatação do formato. Nem sequer posso afirmar que me repugna, como a catequese new-age do Malick, apenas e só que é inexistente e quando tenta existir, repete, até à náusea, os lugares-comuns da publicidade com mensagem e (suposto) humor. O cinema português está a precisar de tanta idiossincrasia quanto a escrita e o imaginário do cidadão comentador.

Publicada a 02-06-2011 por José Neves