Cinecartaz

J.F.Vieira Pinto

Piccoli, Moretti & Woody Allen

O "sequestrado" psicanalista, lê a Bíblia e chega à conclusão que é um livro depressivo. Enquanto os cardeais esperam o "sim" do eleito (pelos homens) Papa, aceitam entrar num jogo de voleibol com toda a igreja "global". O psicanalista contratado, que alguém se esqueceu de perguntar se era "crente", ajuda ainda a pôr um pouco de ordem na medicação que alguns cardeais tomam: ansiolíticos, soporíferos e até comprimidos para a obesidade!
Por estas alturas, o eleito Papa, vagueia pela sociedade "real". Antes, tinha contactado, anonimamente, uma psicanalista, onde confessa ter uma espécie de "sinusite psíquica". No autocarro, ensaia o discurso que terá de fazer perante os tais "mil milhões de católicos".
No cinema de Moretti, a sua presença é omnipresente. Em "Temos Papa", reparte o filme com a outra personagem fulcral: o cardeal Melville, representado pelo sempre competente e experiente Michel Piccoli, que diz "não conseguir" aceitar tão grande tarefa. Estamos perante duas figuras enormes do cinema europeu: Piccoli / Moretti.
"Temos Papa" é um filme bem realizado, onde os traumas de Nanni Moretti surgem com a naturalidade habitual. O personagem que interpreta (o psicanalista) tem as fobias habituais do realizador: a mulher, também psicanalista, que o deixou, por outro psicanalista e...muito "deficit parental" à mistura. Por momentos, pensamos que estamos num filme de Woody Allen.
Precisamos de mais "Morettis" que é como quem diz: mais exibição comercial de cinema italiano! Temos de vez em quando uma obra do Gianni Di Gregorio mas não chega...

Publicada a 20-12-2011 por J.F.Vieira Pinto