Cinecartaz

PAz

Omoplata, colo e toutiço

Que é como quem diz, costas , pescoço e nuca, até à náusea. Isso e horas, e horas, e horas, e mais horas, a caminhar... Para onde? Para lado nenhum. Que vazio! Que delírio sonial! Clichés visuais repetidos até à exaustão. Eu que até simpatizo bastante com o Nuno Lopes, não vou consegui olhar para ele nos próximos 2 anos! O plano dos omoplatas, pescoço e nuca, é repetido demasiadas, demasiadas, demasiadas vezes... Ainda por cima nem sequer é original... O caminhar, meu deus, que canseira! Parecia o videoclip do Bruce Springsteen a rodar em loop, em loop... Diálogos vazios, sem densidade, despropositados, ou quando tinham propósito, era demasiado óbvio. Meus caros,vocês são bons naquilo que sabem fazer (filmar e representar) mas não são bons a escrever guiões. Por favor, peçam a alguém que saiba escrever um guião que vos escreva os guiões dos vossos filmes. O espanto é maior quando ouço o realizador e o protagonista a verborriarem sobre significados e mensagens que, supostamente, o filme contém, mas que não se vêem, porque não estão lá. Ficaram presos dentro das suas cabeças, porque uma coisa é filmar, uma coisa é representar, outra coisa, completamente diferente, é escrever, é saber "guionar" (contar uma história). Vocês não podem achar, e dizer, que um filme trata da Troika, porque espetam com duas legendas sobre o assunto, no prólogo e epílogo do filme. Vocês não podem achar, e dizer, que um filme trata das dificuldades das pessoas por causa da Troika, porque filmam umas cenas avulso de conversas e parangonas num bairro social. Aliás o cenário que vocês escolhem para espelhar as dificuldades sentidas pelos portugueses é completamente errado e falacioso. A miséria que vocês exploraram (na busca clara e despudorada de um clichet de sucesso) está aí, muito tempo antes da entrada da Troika e não tem nada a ver com a crise económica. Representa apenas a falência de um estado social que, ao invés de recuperar as vidas de pessoas, subsidia pessoas. Mas isso, vem desde o século passado... e nada tem a ver com a Troika. Enfim... uma oportunidade (e alguns impostos) perdida(os) pois, os atores são bons, a mão por detrás da câmara também é boa (bons planos, boa estética, boa dinâmica...) mas o resultado é ZERO! Tenho pena.

Publicada a 21-03-2017 por PAz