Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Tomei conhecimento da existência do realizador Brillante Mendonza em 2009, aquando do lançamento da obra-prima "Lola", e fiquei arrebatado à primeira vista pelo filipino. Os seus filmes seguintes estreados neste canto à beira mar plantado ("Cativa", "Tallub" e "Ma'Rosa") foram mantendo a chama da paixão (aínda que de forma mais morna), mas com o recente "Alpha: Nos Bastidores Da Corrupção" o feeling esmoreceu significativamente.

Esteticamente não há um corte abrupto com os seus anteriores trabalhos (mantém o habitual registo de câmara à mão e uma montagem exímia/frenética), nem sequer em relação às temáticas abordadas (o tráfico de droga como meio de subsistência nos caóticos bairros pobres da Manila e a repressão política/policial de um regime ditatorial) ou ao modo como as expõe (através de uma linguagem quase documental, com cariz sociológico).
No entanto, a opção por um género mais próximo do triller policial realista (cuja história se centra na relação entre um corrupto comandante de uma unidade de polícia e um jovem funcionário de limpeza - seu informador -, no pós desmantelamento de um pequeno grupo de traficantes de droga) parece não coadunar-se com o ritmo que lhe intrínseco. Pelo que resulta num híbrido atípico com algum défice de "substância" (narrativa pobrezinha) e tensão/"nervo" (embora dotado de uma certa "identidade" devido ao seu realismo melancólico, seco e duro).

Publicada a 25-11-2019 por José Miguel Costa