Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

Em 2011, Sean Durkin deixou os cinéfilos indie presos pelo beicinho com um inquietante e visceral primeiro filme: “Martha Marcy May Marlene”. No entanto, fez-se rogado e deixou-(n)os a salivar durante 9 anos pela obra seguinte, “O Ninho”, que através de um registo que paira algures entre o thriller psicológico e o drama clássico nos coloca perante o processo de desintegração de uma (alegadamente perfeita) jovem família de classe média alta, que vive acima das suas possibilidades, recém chegada a Inglaterra.

A acção transporta-nos até à Inglaterra da década de 80 (numa reconstituição de época que deixa algo a desejar) e conta com Jude Law como protagonista (num desempenho de se lhe tirar o chapéu), a encarnar um ambicioso gestor de fundos inglês, bafejado pelo american dream, que decidiu retornar à terra de sua majestade (em pleno período de euforia yuppie thatcheriana) com o objectivo de enriquecer através da implementação de negócios especulativos e (sobretudo) para ostentar o seu sucesso perante os conterrâneos. Apesar da chancela de qualidade da BBC, este novo projecto revela-nos um cineasta (muito) aquém das expectativas, sem o fulgor/rasgo do passado, incapaz de inflamar ou surpreender, limitando-se a oferecer-nos uma narrativa subdesenvolvida e com fraca intensidade dramática (destituída de “picos” e até de um desenlace final minimamente decente – dando a sensação de que “termina a meio”), para além de previsível e cliché.

Publicada a 09-10-2020 por José Miguel Costa