Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

O Pai", primeiro filme realizado pelo encenador e dramaturgo francês Florian Zeller, é um drama impregnado de uma incontestável linguagem teatral, cuja ação se cinge ao interior de um apartamento londrino, que nos confronta com a angustiante confusão mental de um octogenário de classe média alta em acelerado processo demencial, que recusa o apoio de terceiros por considerar-se autónomo e saudável.

Apesar da temática, bem como a inerente abordagem da dialética degradação do estado de saúde/perturbação emocional na família nuclear, já ter sido infinitamente esparramada nas telas de cinema, esta obra possui a originalidade/genialidade de (tentar) contar-nos a história sob a perspectiva do protagonista (Sir Anthony Hopkins, que dispensa quaisquer comentários sobre a sua performance), o que implica jamais conseguirmos encaixar as diversas peças do puzzle.
No entanto, quiçá mea culpa, o filme não me tocou por aí além (e, em principio, por motivos pessoais, até teria todos os ingredientes reunidos para consegui-lo), inclusive, em determinados momentos, chegou quase a aborrecer-me (blasfémia!!).

Publicada a 07-05-2021 por José Miguel Costa