Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

Em 2016, o colombiano Ciro Guerra conquistou-me irremediavelmente com a arrebatadora obra-prima "O Abraço da Serpente", tendo reforçado o seu estatuto de culto (quase imediato) com o filme que se lhe seguiu ("Pássaros de Verão").
Tal visiblidade catapultou-o até ao nível de conseguir financiamento internacional para filmar um épico histórico em lingua inglesa, "À Espera dos Bárbaros" (adaptação, por si efectuada, do romance homónimo de J. M. Coetzee, Prémio Nobel de Literatura de 2003), com recurso a mega-estrelas de Hollywood, Johnny Depp e Robert Pattinson.
Todavia, o estrelato parece ter-lhe sugado a criatividade e irreverência, na medida em que a montanha pariu uma (mera) obra de formalismo clássico anódico, previsivel e entediante, com (goradas) pretensões narrativas de constituir-se uma espécie de alegoria (nada subtil) anti-colonialista e anti-autoritarista (nem sequer se coibindo para o efeito de esterotipar os vilões de um modo quase constrangedor, no limite do ridiculo).

A história, que decorre algures no século XIX, centra-se num magistrado britânico de uma pequena fortaleza isolada num deserto inóspito, junto a uma fronteira desconhecida, que começa a questionar a sua lealdade ao império, após constatar como os cruéis militares maltratam os inofensivos bárbaros (ou seja, os nativos), com a justificação de que estes estariam a planear uma hipotética insurreição contra o colonizador.

Publicada a 25-07-2021 por José Miguel Costa