Cinecartaz

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José Miguel Costa

3 estrelas

Após visionar o novo filme do Pedro Almodóvar, "Mães Paralelas", fiquei algo nostálgico em relação ao seu passado cinéfilo neo-kitsch, povoado por personagens histéricas e extravagantes (quase sempre mulheres, gays e travestis) enrodilhadas em hilariantes melodramas de faca e alguidar.
Não que a sua "fase adulta" nos tenha privado de obras à altura dos seus pergaminhos (pelo contrário, e para prová-lo basta relembrarmos "Má Educação", "Em Carne Viva ",Tudo Sobre Minha Mãe", "Fala Com Ela" e "Dor e Glória"), mas, infelizmente, não é o caso deste drama nitidamente frouxo (embora, tratado com elegância e sobriedade).

"Mães Paralelas" possui dois arcos narrativos (a troca de duas crianças numa maternidade - temática com barbas na sétima arte, que não vem acrescentar nada de novo - e a polémica questão da memória histórica relacionada com as pessoas desaparecidas, e enterradas em valas comuns, durante o regime franquista), que se intercruzam através de um enredo banal, superficial, estranhamente previsivel e com um desfecho "todo arrumadinho".
Obviamente, como é seu apanágio, a nível cénico/fotografia não deixa nada a desejar. O mesmo se aplica à performance arrebatadora de uma das suas divas de sempre, Penélope Cruz (que lhe valeu, inclusive, o galardão de melhor actriz no Festival de Veneza).

Publicada a 05-12-2021 por José Miguel Costa