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Nazaré

Outra obra-prima de Almodovar

Este filme é ainda mais centrado no mundo feminino do que qualquer um dos anteriores de Pedro Almodovar, imagine-se. Só há uma personagem do outro sexo com algum relevo, e as funções dele são as habituais: fecundar e resolver um problema. Tudo o resto é habitado por mulheres, como se o mundo fosse (quase) isso.
E que mundo esse, tão rico de matizes, de contactos, de cruzamentos, de AMOR!! O que este filme tem de mais notável é a ilustração extremamente bela de tantas formas de manifestar-se o amor entre pessoas, não necessariamente o amor carnal (mas também), as cumplicidades, o amor na família sobretudo, aquele que guarda memórias como tesouros, que aceita as feridas, que nutre quem precisa, que não se distrai. E como as personagens incapazes de participar do amor são gente perdida.
Grande a Penelope Cruz como protagonista, e o perfeito complemento com a dulcíssima Milena Smit, verdadeiramente uma coprotagonista. O trabalho de Almodovar é espectacular, e a oportunidade que ele tem de atirar-se aos fascistas do PP (etc.) espanhol que querem fazer esquecer os crimes da Guerra Civil de 1936-9 é muito bem aproveitada, trazendo a esta bela fita uma dimensão muito mais ampla (alguns dizem-na política, mas isso é ver a coisa na perspectiva masculina, não liguem).

Publicada a 25-03-2022 por Nazaré