Austrália/EUA/GB/JAP, 2007, Preto e Branco, 121 min.
argumento
"Control", realizado pelo aclamado fotógrafo Anton Corbijn, conta a história de Ian Curtis, líder e vocalista dos míticos Joy Division, até ao momento do seu trágico suicídio. Uma história que se confunde com a do som que mudou a face da música. Com interpretações de Alexandra Maria Lara e Samantha Morton, protagonizado por Sam Riley ("24 Hour Party People"), banda sonora dos New Order e músicas dos Joy Division, "Control" documenta as relações de Curtis com a mulher e com a amante, a batalha contra a epilepsia e o caminho para a glória. Ian Curtis suicidou-se a 18 de Maio de 1980, véspera da primeira digressão americana que se desenhava como um novo triunfo para a banda. PÚBLICO
Filme sobre Ian Curtis e os Joy Division? Sim, se não confundirmos isso com o "biopic pop" tradicional (seja o que for o "biopic pop" tradicional). Não se espera num filme desses o tipo de austeridade de "Control", o preto e branco muito seco, o silêncio da banda sonora, a profunda estilização da presença dos actores (as cenas de conjunto com os membros da banda são admiráveis na sua teatralidade) - e tudo isto concorre para uma atmosfera de ilusório, ou liminarmente falso, naturalismo, contornado sem que se entre na sua oposta exuberância (malabarismos nenhuns: Corbijn, realizador de telediscos, faz em "Control" um antiteledisco).
De pouco convencionais biografias filmadas ("biopics") de "rock stars" vamos estando servidos, do mais longínquo "Velvet Goldmine", de Todd Haynes (talvez imaginando David Bowie) ao mais próximo "Last Days", de Gus Van Sant (talvez imaginando os últimos dias de Kurt Cobain). "Talvez" porque na vontade determinada de não seguir as regras do jogo habitual - e de fazer a "antibiografia" - alguns desses exercícios são aventuras na abstracção que arriscam não se materializar (o filme de Van Sant) ou então são um segredo para iniciados desvendarem: o caso do recente, e ainda não estreado, "I''m not There", de Todd Haynes (ele outra vez!), em que seis actores/personagens são postos no encalço de um cantautor, Bob Dylan, e o espectador desprevenido (isto é, menos familiarizado com a iconografia e seus episódios) é posto a correr, ofegante, a ver se apanha o filme - não apanha.
J� quando saiu '24-hour party people', em que Tony Wilson contava a sua vers�o sobre a cena p�s-punk de Manchester, apareciam os Joy Division / New Order. Mas aquele apaixonante filme, como testemunho pessoal, olhava-os um pouco � dist�ncia, pois quem testemunhava n�o esteve suficientemente perto deles.<BR/>� que no caso dos Joy Division, cuja m�sica s� por si serviria para legitimar a revolu��o punk, era preciso mais. E em especial sobre a personalidade do poeta e cantor Ian Curtis, que se suicidou precisamente quando o grupo estava a preparar-se para dar o salto no big business. O mon�logo de Curtis � sa�da do hospital, onde tinha estado a recuperar dum dos...