Michael Clayton (George Clooney) é o homem a quem todos recorrem num dos maiores escritórios de advogados de Nova Iorque, a Kenner, Bach & Ledeen (KBL), quando são precisos métodos pouco ortodoxos para tratar de um processo.
Sob a alçada do co-fundador da firma, Marty Bach (Sydney Pollack), Clayton faz o trabalho sujo e limpa os podres dos clientes da firma. Mas desta vez há um caso que ele talvez não seja capaz de resolver. A KBL está a gerir um processo multimilionário de uma empresa de agroquímica, a U/North, que parece encaminhar-se para um brilhante desfecho do qual depende o posto da consultora legal Karen Crowder. Mas o advogado de topo da KBL, Arthur Edens, tem um aparente esgotamento e começa a deitar tudo a perder, sabotando provas. Clayton é então enviado para gerir o processo, mas quanto mais tenta resolver as coisas, mais tudo se vira contra ele, colocando em risco até a sua própria vida. O filme foi nomeado para sete Óscares arrecadando apenas um: Tilda Swinton, Óscar de melhor actriz secundária. PÚBLICO
Lembramo-nos que no Festival de Veneza, o final de "Michael Clayton" - um plano de vários minutos, o rosto de George Clooney, tudo num táxi - foi celebrado, havendo quem o comparasse ao final de "Rainha Cristina" (o filme de Rouben Mamoulian de 1933 em que Greta Garbo, sim, ela, nem mais nem menos, ficava a olhar, e assim nos deixava e assim deixava que o seu rosto fosse ele próprio um ecrã, coisa em branco).
Um "thriller" em formato "puzzle", nocturno, elíptico, quase ao "ralenti". Assim descritas as suas premissas formais e estilísticas, "Michael Clayton" parece um pouco mais entusiasmante do que é. Mas a mão de Tony Gilroy (argumentista que aqui assina a estreia como realizador) não é especialmente ágil, e talvez nem muito sincera, e o seu filme parece sempre avançar por efeito calculado, mais "poseur" do que outra coisa. Não é desagradável, mas se não é o deve essencialmente ao trio de actores que que consegue fazer vibrar as fundações da rígida estrutura laboriosamente construida por Gilroy: George Clooney, mas sobretudo os secundários, os excelentes Tom Wilkinson e Tilda Swinton.
“Michael Clayton” fala-nos da capacidade que nós, humanos, temos em literal e metaforicamente “vendermos a alma ao diabo”, bem como de termos a opção de o fazermos ou não – livre arbítrio para tal, portanto.<BR/><BR/>Por “vendermos a alma ao diabo” entenda-se a tentação de cometermos um acto que, por muito ilícito e/ou imoral (logo, condenável) que seja, acabamos por vacilar na dúvida da incerteza de o concretizarmos ou não. Independentemente de essa hesitação ser suscitada e/ou condicionada por necessidade económica, capricho, ganância ou, pura e simplesmente, a curiosidade em se realizar uma “diabrura”. Tal como reza a velha e sapiente filosofia popular, “o fruto proibido é o mais...