Começa sem aviso. Chega de parte incerta. Em minutos, acontecimentos estranhos e mortes arrepiantes, que desafiam a razão e fazem enlouquecer as pessoas com a sua chocante destruição, alastram-se nas principais cidades americanas. Qual será a causa deste súbito e total colapso do comportamento humano?
Será uma nova espécie de ataque terrorista, uma experiência científica que correu mal, uma diabólica arma tóxica ou um vírus incontrolável? Como se transmite? Pelo ar, pela água? De onde vem a ameaça?
Para Elliot Moore (Mark Wahlberg), professor de Ciências em Filadélfia, o mais importante é escapar ao fenómeno mortal. Elliot e a mulher Alma, apesar da crise conjugal que enfrentam, tentam fugir, primeiro de comboio e depois de carro, juntamente com outro professor e a filha deste, para o campo, esperando que aí não ocorram ataques. Mas depressa percebem que ninguém está a salvo em lado nenhum. Elliot terá de perceber o que motiva os ataques para conseguir garantir a sobrevivência do grupo.
"O Acontecimento" é o novo filme de M. Night Shyamalan, realizador de "O Sexto Sentido", "Sinais", "O Protegido" ou "A Vila".PÚBLICO
É como se, depois do tropeção de "A
Senhora da Água", tentativa louvável
mas falhada de fazer outra coisa que
não thrillers de volta na ponta
paredes-meias com o fantástico, M.
Night Shyamalan tivesse ficado (passe
a expressão) com medo da água e
quisesse ver se ainda sabe nadar.
No centro de Manhattan, numa manhã como as outras, produz-se um estranho "acontecimento": as pessoas começam a cometer actos suicidas - esfaqueiam-se a si
próprias, atiram-se do alto de edifícios. Em breve, todo o Nordeste americano (incluindo Filadélfia,
cidade de Shyamalan), está contaminado. São toxinas, dizem os cientistas, que agem sobre o cérebro
bloqueando o sector dele que inibe os humanos de agirem de maneira atentatória da sua integridade física. A América sob ataque do terrorismo? Não, voltam os cientistas: as toxinas são naturais, e
emitidas pelas árvores e pela vegetação. "O Acontecimento" começa como "paráfrase" do 11 de
Setembro (o melhor plano do filme, operários em queda livre depois de saltarem dos andaimes onde
trabalhavam, rima com algumas das mais impressionantes imagens desse outro acontecimento) e transformase num "eco-thriller", o primeiro
"eco-thriller" pós-aquecimento global. As plantas tornaram-se "más"? Não, os humanos é que tantas fizeram que despertaram um sentido de auto-defesa que estava adormecido no reino vegetal.