Cinecartaz

Fernando Costa

Amor de Mãe

Madeo (em inglês Mother (Mãe)), filme sul-coreano sobre o amor de mãe, é um belíssimo filme que merecesse ser visto e descoberto. Breve sinopse: Yoon Do-joon (Bin Won) rapaz maior de idade mas intelectualmente “atrasado” é o único filho da personagem central da trama, uma mãe (Hye-ja Kim) sem marido e a quem nunca é dado um nome. Yoon Do-joon é acusado de um crime e é levado pela polícia a assinar uma confissão. A mãe Yoon Do-joon, tendo a certeza da inocência do filho, decide ela própria investigar o crime para apanhar o culpado e tentar libertar o seu filho da prisão. Joon-ho Bong, realizador e co-argumentista do filme, cuja obra “O Hospedeiro” já tivemos felizmente a oportunidade de ver estrear em Portugal, define o carácter da personagem central da narrativa (o realizador é também co-argumentista) nos primeiros 5 minutos do filme. Numa cena simples mas muito bem conseguida em que a referida mãe se corta acidentalmente numa guilhotina de papel e nem sequer nota porque está a vigiar o seu filho que está do outro lado da rua e acaba por ter um “acidente”. A partir daqui ficamos a saber quem é a “mãe” de Joon-ho Bong: é alguém que tem sentimentos tão profundos de preocupação, amor e protecção pelo seu filho que o põem à frente do seu próprio bem-estar físico e psíquico. Bong, conhecendo o seu ofício, dirige este filme de forma interessante, com economia narrativa e um sentido de equilíbrio na expressão de sentimentos (porque há muito sentimento no filme) que apreciamos. Estas características não são infrequentes em determinado tipo de cinema asiático mas ficamos contente de o ver tão bem usado para contar esta história. Apesar de a história policial ser um pretexto para retratar o amor desta mãe por este filho, Bong consegue aproveitar todos os possíveis momentos de “suspense” do filme eficazmente. Bong consegue fazer desta “história policial doméstica” uma boa história policial, e se o seu desfecho não é imprevisível, dá ainda maior significado ao filme. Apetece comparar com a menos eficaz história de Campanella (“O Segredo dos Seus Olhos”) em exibição mas ficamo-nos por aqui. Hye-ja Kim consegue imprimir força à figura da mãe, sobretudo uma força que existe mais no interior da personagem do que no exterior, brindando-nos com uma excelente interpretação no papel de mãe solitária (leia-se sem um companheiro), numa sociedade ainda muito patriarcal. A personagem da mãe é uma personagem de uma mulher honesta, com sentimentos e respeito pelos outros, mas é sobretudo mãe – e nada impedirá esta mãe de libertar o seu filho. No fim só um “segredo” a consegue libertar. Um argumento inteligente, economia narrativa, planos interessantes e plenos de significado fazem deste filme um bom filme que não se deve perder. (3,5/5)

Publicada a 25-05-2010 por Fernando Costa