Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

No ano 2014, cientistas de topo, na tentativa de reverter o processo de aquecimento global, lançaram na atmosfera um produto inovador, mas a experiência não resultou e a Terra entrou numa nova época glaciar, incompatível com a vida humana. Os poucos sobreviventes da espécie foram colocados num mega comboio auto-sustentável dotado com tecnologia de ponta (versão moderna da "arca de Noé"), por forma a evitar a sua total extinção. No entanto, a convivência entre pares não resultou num processo pacífico devido à estratificação social imposta por um líder autoritário e endeusado (por forma a manter o equilíbrio deste "ecossistema artificial"), e a luta de classes (algo marxista) inevitavelmente estalou. A acção deste filme decorre no futuro (num espaço exíguo - mas nem por isso em momento algum sentimos "aborrecimento"), volvidos 18 anos sobre o acontecimento em causa, pelo que estamos perante uma espécie de "thriller" (carregadinho de cenas de luta à boa moda sul coreana) de ficção científica (pouco convencional, é certo) com uma certa essência/metáfora política, atipicamente povoada por personagens cómicas e estilizadas (algumas delas a roçar o patético - de recordar, todavia, que se trata da adaptação de uma BD), que emprestam uma aura de surrealismo, e que a tornam original e única (motivo pelo qual será odiada por uns e idolatrada por outros, não haverá lugar a "meios termos" - e outra coisa não seria expectável do mestre coreano, mesmo sendo esta a sua película "mais fácil").

Publicada a 27-07-2014 por JOSÉ MIGUEL COSTA