Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

Fim de semana com o (quase) morto. Este é, grosso modo, o mote do filme de Roger Michell, "Blackbird - A Despedida", um drama sóbrio que nos transporta até à ultima reunião de uma família de classe média alta (que agrega três gerações) com a sua matriarca, que irá colocar termo à vida, através de um processo de eutanásia ilegal (que não tem a aprovação de todos os membros).

É uma obra mais reflexiva do que melodramática, pelo que se afasta da habitual polémica ética/moral, bem como da consequente propaganda (pró ou contra), inerente à temática em foco, optando por centrar-se nos conflitos interpessoais de uma familia com feridas do passado por cicatrizar, que emergem no decorrer do evento.
Esta abordagem até poderia colher bons frutos, mas tal não se verificou (o que esperar de um realizador de comédias românticas, como "Notting Hill"?), sobretudo pelo facto de não atingir o climax em nenhum dos vários arcos narrativos (insuficientemente) construidos em torno das personagens (quiçá, devido ao excesso de individuos para "dissecar" num período de tempo demasiado curto para o efeito).
Valha-nos que as competências do elenco (Susan Sarandon, Kate Winslet e Mia Wasikowska) acabam por minimizar as consequências deste handicap, todavia não são o suficiente para ocultar a evidência de um produto demasiado amorfo.

Publicada a 01-06-2021 por José Miguel Costa