Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

"Phoenix" (2015) e "Em Trânsito" (2019) integram o "meu top 10" de filmes dos respctivos anos em que foram exibidos comercialmente, pelo que a expectativa em relação à nova obra do cineasta alemão Christian Petzold, "Undine", era naturalmente elevada (pena que tenha sido gorada).

Um intrigante romance dramático que cruza realidade e fantasia sobrenatural (já que alegadamente efectua uma reinterpretação contemporânea do mito de ondina, a ninfa que emerge das águas para enganar e seduzir homens frágeis - sendo que, fruto da minha gnorância, apenas me apercebi de tal facto pela leitura da respectiva sinopse, até porque a mulher que nos é apresentada surge-nos destituida de quaisquer poderes e quanto muito é acometida por determinados acontecimentos mágicos) num ambiente exclusivamente naturalista.
Deste modo, a narrativa revela-se algo ambigua, prejudicando a percepção dos significados/significância da história (que nos coloca perante o evoluir de um romance extemporâneo entre uma historiadora freelancer, que efectua visitas guiadas num museu berlinense, e um visitante ocasional de tal espaço cultural, após esta ter acabado o relacionamento com o seu namorado poucos minutos antes).

Realce-se a prestação da dupla de actores, Paula Beer (galardoada com o prémio de melhor actriz no festival de Berlim) e Franz Rogowski, que foi, igualmente, protagonista no anterior filme do Petzold.

Publicada a 19-04-2021 por José Miguel Costa