Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

"Entre a Morte", a primeira longa-metragem ficcional do realizador azerbaijanês Hilal Baydarov, que poderá ser percepcionada como um road movie de cariz existencialista (no qual um jovem amargurado abandona a sua mãe doente para ir em busca da mulher amada e filho imaginários, experienciando ao longo do seu trajecto uma série de eventos relacionados com homicídios), é uma daquelas obras condenadas a polarizar opiniões, ama-se ou odeia-se.
Provavelmente, a generalidade dos espectadores concentrar-se-á no polo negativo da apreciação, atendendo à sua narrativa hermética e enigmática (impregnada de alegadas metáforas e significâncias quase inatingíveis, explanadas num loop sequencial, que jamais fornecem respostas concretas/definitivas), bem como por ser detentor de um ritmo lento (consequência da opção por um "olhar" predominantemente contemplativo).
Apesar de não contestar a veracidade deste tipo de argumentação, integro-me na eventual minoria dos apreciadores deste filme, tendo por base o seu lirismo, tanto a nivel palavroso (embora, por vezes, se revele pretensioso, e até nonsense, em demasia) como visual (detentor de uma fotografia de excepção, que faz uso de longos planos gerais com uma tal simetria - naturalista- que consegue transformar a dureza/feiura da paisagem em autênticos "quadros em movimento").

Publicada a 14-06-2021 por José Miguel Costa