Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

"O Mauritano", realizado por Kevin Macdonald, é um triller politico/judicial que relata a história verídica do mujahidin Mohamedou Ould Slahi (tendo por base o livro de memórias do próprio, "O Diario de Guantánamo"), feito prisioneiro pelos USA, no seu país de origem, em 2002, na sequência dos atentados terroristas contra as torres gémeas de NY, e transportado para a prisão de Guantánamo (sem qualquer acusação formal ou julgamento), onde esteve detido até 2016, apesar de ter sido considerado inocente em 2010.
Tendo-se declarado culpado, após vários anos de interrogatórios, privações e tortura, o seu caso tornou-se mediático (e um pedregulho no sapato das administrações Bush e Obama) após a implacável advogada de causas humanitárias Nancy Hollander assumir, pro bono, a sua defesa e consequentemente espalhar "aos sete ventos" os atropelos legais e aos direitos humanos de que o seu cliente foi vitima.

Apesar de possuir por base matéria-prima de excelência, trabalhada por um elenco de luxo (Jodie Foster e Tahar Rahim), o produto final é algo anémico. Falta-lhe emoção/"empolgamento", facto tão mais grave se considerarmos que estamos perante um "filme-denúncia". Tal deve-se, em parte, à opção por uma estrutura narrativa desarticulada e "mal colada", consequência de um esquartejamento excessivo (já que a história - desinspirada - é exposta sob a perspectiva de três protagonistas) e do recurso a flashbacks "mal inseridos" e demasiado longos (factores que lhe retiram intensidade dramática).
Se a isto somarmos o facto de não arriscar um milimetro em direcção ao campo do "politicamente incorrecto", chaga-se à conclusão de que apenas não estamos perante uma obra completamente dispensável graças ao magnetismo da performance do Tahar Rahim.

Publicada a 25-05-2021 por José Miguel Costa